quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

- Ensaio - sobre um quase amor.

Em uma madrugada insana regada a álcool e 'cantarolas' perguntou a ela se o amava. Tamanha astúcia, perguntar-lhe isso. Se fez em mil pedaços - ele nunca juntaria - e querendo perguntar o porquê, sussurrou um não. Jamais confessaria seus sentimentos a um coração ocupado. A cada menção essa ferida latejava. Mas, por algum motivo queria ficar ali a penetrar-se (calada) por aqueles olhos fugitivos e as coisas que contara. Submissa o mastigava dentro de si, ele delicado persuadia fazendo questão de lembrar que nada deveria esperar além de noites eternas - finitas ao nascer do dia. Só sobraram a pequena garota lágrimas ocultas e silêncios mal tecidos. Entre grunhidos ela resmungou fragmentos de Caio Fernando de Abreu: Eu estava só começando a entrar num estado de amor por você. Mas não me permiti, não te permiti, não nos permiti.


Compulsivo ele retrucou -Só queria me sentir amado. Virou as costas e se foi.

E o telefone não mais tocou, ainda sim, era ela.

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